A língua como instrumento de poder

24 de out de 2016


É inevitável conceber a língua como não tendo um caráter dominativo. Esta afirmação encontra respaldo nas relações sócio- históricas religiosas e políticas, nas quais ocorreu o que foi considerado“massa de manobra” (GNERRE, 1998), quando na Idade Média , no auge de uma educação puramente religiosa com visão teocêntrica, a bíblia era escrita ou em latim ou na língua culta de cada país, e noventa e cinco por cento da população não sabia ler nem escrever, ou seja, as pessoas ficavam à margem do conhecimento, manipuladas por um poder, conforme afirma o autor, “Os casos mais evidentes de afirmação do poder da língua são discursos políticos, sermão de igreja, aula” (GNERRE, 1998, p. 6).

No caso do Brasil, a relação do acesso à língua com dominação e poder originou-se no período colonial, quando o português se sobrepõe às mais de 300 línguas indígenas (CASTILHO, 2001). Sem uma determinada história literária e cultural o indígena começou a ceder espaço ao português, obviamente, a cultura também é transplantada (ELIA, 2000). Trata-se de um “ato humano, social, histórico, ideológico, que tem consequências e repercussões na vida de todas as pessoas”(ANTUNES, 2007, p. 21). 

A literatura nesse período colonial refletia o sistema dominativo, cujos textos literários escritos cumpriam o papel de uma dominação que perdurou, de forma mais nítida, até a ascensão romântica, na qual a literatura brasileira estava amadurecida, havia senso de liberdade, indianismo, nacionalismo e desejo de uma língua própria, um português “brasileiro”. (acho que um ponto-final ficaria mais interessante nessa parte) não obstante, a língua estava sendo usada como instrumento para perpetuar a presença da dominação Portuguesa .


Assim, a língua e a dominação impuseram o predomínio de um povo sobre o outro, pois ao defender suas fronteiras geográficas, defendiam, às vezes de forma violenta, a identidade linguística desses territórios conquistados, “ao lado da conquista de novas terras se instala a imposição de uma nova língua” (ANTUNES, 2007, p. 20), logo, a sujeição não acontece apenas no campo político, mas no econômico e social. Atualmente este fenômeno pode ser exemplificado com a imposição e dominação da língua americana e seu impacto no estio de vida daqueles que a adota.

Texto: Elmo Jackson

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