Para quê Deus “Serve”?

23 de set de 2013
Certa vez, eu estava conversando com um amigo (seu nome é Wellington Carvalho), que é Assistente Social de uma repartição pública federal, e por isso convive com pessoas de diferentes religiosidades.
No diálogo surgiu uma reflexão: os religiosos de hoje estão buscando um deus que os sirva.
Alguns parecem pensar da seguinte maneira:
“Se Deus não me serve, então para quê Ele serve?!”
É um absurdo pensar assim, mas estamos vendo que esta é realidade na vida de muitos professos cristãos da atualidade.
A Teologia da Prosperidade
Não é mais novidade para ninguém que as igrejas neo-pentecostais estão levantando verdadeiros impérios eclesiásticos (em especial com a compra de empresas de comunicação, financiamento de campanhas políticas, construção de templos nababescos, etc.) utilizando-se da pregação da prosperidade material “aqui e agora”.
Os grandes nomes desta nova “teologia” são enfáticos em dizerem que Deus está “obrigado” a cumprir Suas promessas na vida de Seu povo. O curioso é que tais pregadores “pescam” na Bíblia apenas as promessas que eles interpretam como sendo a garantia de uma vida abastada e cheia de riqueza do ponto de vista material.
Nos programas de televisão e rádio usados para massificar esta ideologia, sempre são utilizados testemunhos de pessoas que passaram a viver uma vida próspera, exatamente depois de iniciarem sua participação nas “campanhas” financeiras promovidas por tais igrejas. As imagens mostradas durante estes testemunhos freqüentemente mostram carros e casas de luxo, adquiridos, segundo os entrevistados, depois que fizeram seu “pacto” de fidelidade com Deus, tornando-se dizimistas, ofertantes, “patrocinadores”, etc., nas campanhas da sua igreja.
Já ouvi alguns desses pregadores da prosperidade dizerem que você tem o direito de exigir de Deus até a cor do carro, o bairro em que deseja morar, o faturamente da nova empresa, quanto quer ganhar de salário, etc. Você pode “exigir” porque está fazendo sua parte, e Deus está “obrigado” a fazer a dEle. E, é claro, a parte de Deus sempre é fazer enriquecer os que Lhe são fiéis. Afinal, “se Deus não me serve, então para quê Ele serve”. Por que eu deveria manter minha fidelidade para com o Senhor, se Ele não “devolver” isto para mim em forma de carros, casas, dinheiro?
Os sermões sempre são sobre vitórias em campanhas militares (para isso o AT ainda está valendo!), milagres fantásticos, provas de fé, etc. Às vezes, pesca-se uma única palavra no verso apenas para apoiar a interpretação de que o povo de Deus deve ser rico nesta vida.
É curioso observar que estes sermões quase nunca falam de renúncia pessoal no vestuário, por exemplo, na alimentação (para isso o AT não serve mais!?), na sexualidade, etc. Quase nunca eles falam sobre a volta de Jesus, sobre a guarda dos mandamentos (a não ser de forma deturpada e totalmente fora do contexto bíblico), do Apocalipse e suas mensagens proféticas. Dificilmente os vemos orientando o povo sobre a educação dos filhos, sobre a qualidade na adoração (na música, por exemplo), sobre o zelo que o cristão deve ter em sua vida pessoal e na aparência (jóias, maquiagens, por exemplo). Não! O tema quase sempre é: PROSPERIDADE – AQUI E AGORA.
Ora, se não foi para isso que Deus me criou (ser rico e viver luxuosamente), então para quê mais foi?! Se meu vizinho pode ter um carro que custa R$ 100.000,00, por que eu também não posso?! Eu não sou filho do Dono do Mundo?!
O Equilíbrio
Como Adventistas, nós também precisamos ter cuidado para não sermos contaminados com esta nova “teologia”. O “toma-lá-dá-cá” com que alguns encaram a Mordomia do Tesouro, por exemplo, precisa ser evitado, para não cairmos na mesma armadilha de culpar a Deus por não nos dar uma vida abastada, quando pensamos que já estamos fazendo nossa parte na “sociedade” (devolver o dízimo e doar as ofertas).
A Teologia da Prosperidade nos leva a acreditar que só recebemos uma bênção de Deus quando esta se caracterizar por um ganho financeiro. E as outras maneiras que Deus, em Sua Palavra, também disse que nos abençoaria, quando seguíssemos Seus conselhos?
- saúde, quando seguimos as orientações alimentares;
- harmonia no lar, quando praticamos o que Ele nos ensinou sobre a vida familiar;
- proteção e vida longa, quando respeitamos nossos pais.
- imunidade contra doenças sexuais, quando nos mantemos dentro do ambiente matrimonial;
- bons relacionamentos, quando praticamos a paz e o bem com todos;
- vida “deleitosa”, quando guardamos Seus santos sábados;
etc.
Para os teólogos da prosperidade, nada disso é importante. O que importa de verdade é se o saldo da conta bancária está crescendo (e sendo repartido com a igreja, é claro!).
É claro que Deus quer nos ver felizes já nesta vida, enquanto nos preparamos para a eternidade ao Seu lado! Mas isso, necessariamente, não quer dizer que Ele nos cobrirá de luxo e riqueza, apenas para satisfazer a caprichos egoístas e egocêntricos.
A maior dádiva, a maior bênção, a maior certeza que o Senhor quer colocar em nosso coração é a convicção da salvação e da vida eterna. Só isso já nos basta!

“Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” – 2Cor. 12:9.

É para isso que Deus “serve”: para nos cobrir com Seu amor e com Sua graça.

O resto é resto!

Por: Gilson Medeiros

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